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GOL LINHAS AÉREAS :: como sair da crise?!
Por  jrbernardoni em 17/10/2006, 17:38
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“Nossa reputação e resultados podem ser prejudicados caso ocorra algum acidente ou incidente envolvendo nossas aeronaves”. Alerta publicado na página 42 do prospecto da emissão de ações da Gol, segunda maior empresa aérea do país.

A empresa tem, mesmo que pequeno, um histórico admirável. Nos últimos três anos a frota cresceu de 22 para 55 aeronaves, o faturamento passou de 529 milhões para 1,2 bilhão de dólares e seu lucro cresceu de 39 milhões para 158 milhões de dólares. Estes números fazem da Gol uma das companhias aéreas mais rentáveis do mundo. Mesmo assim, o acaso pode agir nessas horas. E mais, de forma cruel. "Estamos empenhados em prestar assistência às famílias", disse Constantino Júnior, numa entrevista coletiva convocada um dia após o acidente. "Acho que a questão do negócio, a questão de valor, de empresa, pode ser deixada para depois."

Um desastre aéreo é um duríssimo golpe no ativo mais valioso de uma empresa aérea: a credibilidade. Não há impacto comparável. As perdas, em casos como esse, são incalculáveis e irreparáveis. Mal gerenciada, a inevitável crise pode levar uma companhia ao fracasso, uma palavra que até hoje nunca tinha feito parte do dicionário da Gol. Criada em 2001, a empresa representou uma ansiada novidade num setor em que antes imperava a ineficiência. Até seu surgimento, as grandes companhias aéreas brasileiras eram Varig, Vasp e Transbrasil, com pesadas estruturas de custos e arcaicos modelos de gestão - além da TAM, a atual líder de mercado. O que se viu nos cinco anos seguintes foi uma incrível série de boas notícias vindas da empresa da família Constantino. Um modelo de negócios inovador, a bem-sucedida abertura de capital, os recordes de rentabilidade, a vertiginosa expansão e a entrada dos controladores no seleto grupo de bilionários da revista americana Forbes. Em 2004, ano do lançamento de ações, a companhia foi escolhida a empresa do ano por Melhores e Maiores, de EXAME. O desastre do Boeing transformou completamente essa rotina de sucessos da Gol - e deu origem ao imenso desafio que é lidar com uma tragédia de tamanha magnitude. Tal como aconteceu com a TAM há dez anos, a Gol terá de se provar apta a superá-la, convencendo o mercado de que permanece confiável - em todos os sentidos.

Segundo os especialistas, as primeiras 72 horas seguintes ao acidente são essenciais para definir se uma empresa reagiu bem ou mal à tragédia. Nos três dias seguintes à queda do Boeing, a Gol seguiu uma cartilha de gestão de crise desenvolvida nos Estados Unidos e adotada pelas grandes empresas aéreas do mundo. Os planos de contingência são repetidos à exaustão nas companhias - como os exércitos, que em tempos de paz treinam e traçam estratégias para a guerra com todos os países vizinhos. "Ninguém espera que a crise aconteça, mas é preciso estar preparado para ela", diz o responsável pela área de segurança de uma empresa aérea brasileira. A linha telefônica gratuita para o acesso a informações sobre as vítimas e a alocação dos parentes em hotéis são as regras mais básicas. A cartilha prevê também a criação de um comitê de crise, a escolha de uma sala para reunir as informações e as regras de comunicação com parentes dos passageiros, normalmente tomados pelo desespero e pela desconfiança em relação à companhia aérea.

:: Questão para debate ::

Ao invés de analisar um caso de fracasso, que já tem seu desfecho, vamos desta vez nos arriscar a projetar o futuro e sugerir estratégias para a Gol. Menos de um mês após o desastre, a companhia está seguindo bem a cartilha de contingências. Mas a questão principal é o quanto esse episódio vai abalar a empresa no longo prazo. O prejuízo atravessa a fronteira dos bens materiais, alcançando seu valor na bolsa, a imagem da marca e até a disposição dos clientes em voarem com a Gol. Sendo assim, qual é a estratégia que a companhia deve utilizar para gerir a crise e voltar a alcançar os patamares de crescimento dos últimos anos??

Obs.: Não vamos nos ater em apenas analisar os fatos, mas sim nas projeções futuras e na elaboração de estratégias. Sugiro que façam pesquisas complementares sobre o acidente, para que os adendos sejam mais ricos em informações.

Fonte: Exame

José Rodolpho Bernardoni :: jrbernardoni

Categoria: Administração

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 ANTONIO CARLOS ROMBLESPERGER    16/06/2010,09:57
A gol,e uma empresa que acompanho desde o inicio.O grupo CONSTANTINO e muito forte,tem bons profissionais em todas as empresas.Na area de transporte esta em primeiro lugar.parabens.

Guilherme    03/10/2007,21:15
Muito interessante! Parabéns!

Marcelo Coelho Fossari    15/11/2006,11:29
Acredito que a Gol se sairia bem caso seu apoio as famílias não fosse apenas o de "seguir a cartilha". Normalmente as compainhas se mostram prestativas no momento urgente do acidente, porém, ficam depois durante anos as queixas dos familiares rolando por noticiarios a respeito do abandono da empresa. É que as empresas ficam muito preocupadas em se defender e amenizar os prejuízos. Além de ser surpreendente quanto ao apoio aos familiares, acredito que bastaria uma campanha publicitária do tipo: quantas compainhas aéreas vocês conhecem que nunca deu problema em seus aviões. Nenhum avião da gol teve qualquer tipo de problema em qualquer momento. Quantas compainhas aéreas você conhece que nunca teve a queda de um avião. A nunca perdeu nenhum de seus aviões por falha mecanica ou erro de seus pilotos. Pode ser também algo irônico: Se você é atropelado em cima da calçada, o culpado é você? No trânsito, quando você circula pela sua mão da rua e é pechado por outro veículo, o erro é seu. Acredito que algo simples assim, retornaria ou diminuiria em muito qualquer tipo de desconfiança em relação a compainha.

Humberto A. V. Lima    27/10/2006,17:39
Acho importante que a GOL mantenha a linha de assistência às famílias, o que realça o caráter humano da empresa frente a tragédia.

Mas acho essencial que a GOL se pronuncie publicamente cobrando o desfecho do caso na justiça, para que culpados e motivos sejam apontados de maneira clara, e para que não sobre espaço para especulação sobre aonde aconteceu realmente a falha.
Uma posição publica cobrando o desfecho e de certa forma pressionando a justiça brasileira coloca a GOL publicamente ao lado das famílias que se envolveram na tragédia.
Para essas famílias o episódio nunca será esquecido.

Isso faz com que as demais famílias que voam GOL sintam-se igualmente protegidas.
Para os demais usuários da GOL fica a imagem de uma empresa que se mobilizou pela tragédia, e que espera por uma solução tanto quanto as famílias. Com o tempo isso pesará positivamente para a imagem da GOL perante seu publico.

Sem contar com o fato de que o veredicto final da justiça servirá de base para o desfecho sobre quem indenizará as famílias das vítimas, uma questão muito mais complexa e de relevante importância para a empresa.

As ações levantadas pelo depoimento do Navarro são essenciais, mas acho que cabe um complemento de maior peso.
O envolvimento através de um pronunciamento publico cobrando respostas é uma posição mais agressiva da companhia, prezando pela sua imagem.
Os deslizes como o que aconteceu em SP são frutos do acaso e fogem completamente do controle da empresa.

Oferecer apoio no aspecto jurídico, se pronunciando junto às famílias, vai transmitir a credibilidade que o usuário espera de uma grande empresa em um momento como este.
Ações de peso devem retomar a trajetória de crescimento que a GOL vinha experimentando no mercado nacional.


Espero ter agregado de alguma forma.

Luiz Fernando Nunes Junior    27/10/2006,13:52
Concordo com o Gabriel Navarro que o acidente deverá cair no esquecimento, principalmente pelo modo como a GOL está apoiando a família das vítimas.
Qual é o principal aspecto desta fase?
O principal aspecto é que o acidente poderá cair no esquecimento, mas certos aspectos serão atados a imagem da GOL. Neste aspecto é importante para a GOL reforçar sua imagem de empresa modelo em organização ,procedimentos de segurança e de empresa que zela pela pela segurança e bem estar de seus clientes.

Gabriel Belchior Navarro    20/10/2006,19:21
Certa vez, vi que, após 3 meses, poucas coisas são lembradas: aquela CPI, determinados acidentes, etc. Portanto, acho que esses próximos 2 meses serão fundamentais para a Gol trabalhar sua imagem.

Como o artigo nos diz, a Gol começou bem: Cartilha de Contingência. O minuto de silêncio que emocionou o Brasil exatamente uma semana depois do acidente foi marcou pontos positivos.

Agora, tenho alguns palpites sobre como lidar com a "crise". A empresa, com bem falou Constantino, deve deixar "negócios" para um segundo plano. Deve-se pensar em como a empresa pode ser um porto seguro para os familiares das vítimas:

1) Estudar a real causa do acidente e os verdadeiros culpados e garantir a devida punição (nos termos da lei);

2) Não deixar de assitir os familiares (principalmente no primeiro Natal e Reveillon que eles passarão separados). Caberia uma mensagem pública (TV, Rádio, presidente eleito, etc.) e outra particular (alguma coisa que chegasse de supetão para os familiares) para esse público. Mas isso deveria acontecer não só no primeiro ano, mas durante toda a história da empresa (já que esse acidente nunca mais será esquecido pela empresa e pelos familiares);

3) Campanhas para demonstrar que as naves da Gol são novinhas (vi uma propaganda da Gol um dia desses sobre isso... :S irônico) e não caem por cair;

4) Tomar cuidados com deslizes como o que aconteceu num aeroporto de SP, no qual o avião derrapou na pista, sem quaisquer agravantes. Mas, como o assunto ainda está em pauta, qualquer fato torna-se notícia.

Acho que isso já daria um bom trabalho!! Espero ter contribuído!

Abraços a todos!!
Gabriel

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